HAMBÚRGUER “O DA BAIXA”, POR FRANCISCO SATURNINO CUNHA

Estive à conversa com Francisco Saturnino Cunha, na Hamburgueria da Baixa, em Santarém. Um espaço cuidado, acolhedor e de bom gosto, que se distingue, especialmente, pelos hambúrgueres artesanais confecionados em pão caseiro, utilizando produtos frescos e naturais da região. Neste espaço destacamos ainda os deliciosos crepes, uma verdadeira tentação.

Com um cenário descontraído, na Hamburgueria da Baixa pode-se saborear uns hambúrgueres, degustar um dos vinhos da marca Pinhal da Torre tinto, vendido a copo ou em garrafa, ouvir boa música e conversar alegremente com os amigos. Empregados simpáticos e sempre disponíveis para dar as mais variadas sugestões.

Os hambúrgueres que sugerem são: O da Baixa, O Garanhão e/ou O Escangalhado. “São talvez os 3 mais comidos” em todas as hamburguerias”. Dizem com ar aprazível e bem-disposto.

No fundo, o melhor espaço para esta entrevista tranquila, onde a boa disposição reina e se mistura com os sabores autênticos que não ignoram a tradição portuguesa.

Francisco, humilde e trabalhador, recebeu-nos com simplicidade e simpatia. É produtor de vinhos, função que acumula com a carreira de modelo e a gerência de uma rede de hamburguerias.

Vamos começar pelos teus dados biográficos, pode ser?

Sim, claro que sim. Sou o Francisco Alexandre Pereira Saturnino Cunha, nasci no dia 12 de fevereiro de 1985. Tenho, portanto, 32 anos e sou natural de Alpiarça.

Há pessoas que nem as escutamos, mas há pessoas que simplesmente nos marcam para sempre. Pelo que sei, o teu avô foi uma referência na tua vida? Queres falar sobre isto?

Podemos falar sim… Toda a minha família foi e é uma referência na minha vida. Sempre fui muito ligado à minha família.

Relativamente ao meu avô, ao longo da vida, sempre o vi ligado ao trabalho, à agricultura. E marcou-me, sem dúvida, pelos seus ensinamentos, pela maneira como era visto por toda gente. Sempre fora uma pessoa muito respeitada e acarinhada por todos. A sua morte causou uma grande perda na nossa família. O meu avô tinha um papel muito importante nos nossos negócios dos vinhos. A sua morte foi, sem dúvida, uma verdadeira perda a todos os níveis. Era uma pessoa muito sensata, muito humilde e trabalhadora. Tinha uma particularidade que eu gostava muito que era transmitir-me “todos os ditados antigos”.

Como se aceitam perdas? Ajudar na Herdade é uma forma de estares mais perto?

Como se aceitam as perdas… Eu acho que as perdas nunca se aceitam. Mas chega a um ponto em que aprendemos a viver com elas e temos mesmo de aprender a viver com elas. Ajudar na herdade é uma forma de estar mais perto daquilo que foi a história do meu bisavô, que eu conheci muito bem, chamava Francisco Cunha, precisamente, e também do meu avô. Ao ajudar fico com um sentimento de dever cumprido. Por tentar dar continuidade ao trabalho do meu bisavô, do meu avô, e agora, do meu pai, do meu tio e meu.

Sei que viveste em Lisboa durante uns anos e depois regressaste a Alpiarça. Queres falar sobre esse período?

Eu fui viver para Lisboa com 13 anos. Fui jogar para o Sporting, mas, entretanto, saí do Sporting e voltei para Santarém, para Alpiarça, onde vim jogar um ano para a Académica de Santarém. Depois fui para o Benfica. Ou seja, eu tenho 32 anos, mas metade da minha vida foi vivida em Lisboa. Foi lá onde estudei, onde fiz uma grande parte dos meus amigos de hoje. Mas, nunca, nunca perdi a minha ligação à terra onde nasci e onde vivi até aos meus 13 anos.

O que te fez voltar?

O que me fez voltar, foi o falecimento do meu avô, como já referi antes. Deu-me uma motivação extra para voltar a Alpiarça e tentar ajudar a minha família a todos os níveis: sentimental e também do trabalho. Foi um bocadinho este o motivo do meu regresso às origens.

Encontro, nas tuas palavras, um sentimento de pertença e de identidade, quando te referes a Alpiarça. Gostas muito desta região, certo?

Alpiarça é, sem dúvida, uma terra pela qual sou apaixonado. Porque foi aqui que eu nasci, foi aqui que comecei a estudar, comecei a jogar futebol, foi aqui que andei de bicicleta nas ruas, foi aqui que brincava a jogar ao berlinde, brincava na rua com os meus amigos. Tempos que já não voltam e que cada vez mais estão mudados. A minha família é toda daqui. Sem dúvida que é uma terra de ligações muito fortes.

Como e quando surge a vontade de te tornares modelo? Como modelo tens tido muitos trabalhos?

Nunca houve uma vontade de me tornar modelo. Nunca tinha tido essa ideia até ser contactado pelo estilista Nuno Gama, pessoa que merece todo o respeito e admiração por tudo o que tem feito na moda, em Portugal e lá fora, e pela forma como dá oportunidades a quem ambiciona uma carreira de modelo.

Eu já pisei, na minha curta carreira de modelo, “também comecei tarde”, os maiores palcos do panorama na moda em Portugal: Moda Lisboa, várias edições, e também Portugal Fashion, entre outros trabalhos de passerelle e a nível fotográfico.

Queres falar sobre os teus projetos?

Neste momento os meus projetos passam pela cadeia “Hamburgueria da Baixa”. Se tudo correr como nós temos planeado até ao fim do ano serão 7 as hamburguerias a funcionar um bocadinho já por todo o País. Portanto, neste momento, temos a hamburgueria de Leiria e Castelo Branco para abrir. Vamos começar brevemente com as obras. Contamos daqui por dois meses ter os dois projetos em funcionamento.

És produtor de vinhos, gerente de uma cadeia de hamburguerias e modelo, como é que consegues conciliar tudo isso?

Como é que se consegue conciliar tudo isto… não é fácil. Acho que, acima de tudo, temos de ter uma paixão muito forte pelo trabalho que desempenhamos. Ser produtor de vinho, gerente de uma cadeia de hamburguerias e modelo, não é fácil, mas quando se gosta daquilo que se faz, igualmente, consegue-se conciliar. Mas confesso que tenho pouco tempo para outras coisas que também gostaria de fazer, nomeadamente, viajar e conhecer outras coisas, mas, neste momento, estou muito limitado.

Mas a vida é mesmo assim. Temos que trabalhar. Foi uma das coisas que o meu avô me disse; foi isso mesmo que ele me passou: temos que trabalhar, temos que nos dedicar.

Hoje em dia fala-se muito em afetos. É importante mostrarmos os nossos afetos. Queres falar sobre este assunto?

Eu sou uma pessoa muito afetuosa. Gosto muito de afetos. Quem me conhece sabe disso. Não sou assim com todo mundo, como é óbvio, mas sim com as pessoas que gosto. As pessoas percebem logo quando gosto delas. Sou uma pessoa bastante afetuosa e carinhosa. Considero-me uma pessoa com bom coração e um bom fundo.

O que achas que faz falta nos dias de hoje?

Eu acho que nos dias de hoje há muitas coisas que fazem falta, nomeadamente a honestidade, a dedicação, a vontade de trabalhar e de crescer como profissionais. Noto muito isto na minha vida profissional. Há muita gente que se queixa dos problemas causados pela conjuntura económico-financeira que se tem sentido no nosso País, mas há também muita gente que nada faz para ultrapassar isso. Noto muito isso. Há muito desemprego… há muita gente a dizer que quer trabalhar, mas que na verdade não tem vontade de o fazer. Acho que estes são os pontos importantes daquilo que faz muita falta hoje em dia.

Qual é para ti o pior preconceito?

Talvez o preconceito das pessoas falarem mal de pessoas que têm e que vão tendo algum sucesso na vida. Costuma-se julgar muito as pessoas pelo que vestem, pelos seus carros, pelas joias, pelas casas, etc.… Essas mesmas pessoas costumam dizer: “olha aquele tem um grande carro”, mas nunca pensam o que a pessoa trabalhou, o tempo que se dedicou para conseguir comprar o “grande carro”, o que se sacrificou para o conseguir. Acho que isso, para mim, é um grande preconceito.

Podemos então passar ao teu “papel” de “Chef Cunha”! Que receita nos trazes?

Como não podia deixar de ser, a minha receita vai para o Hambúrguer “O da Baixa”, da Hamburgueria da Baixa.

Há uma particularidade que não posso deixar de referir: Todos os produtos utilizados são produtos frescos, não são congelados. São produtos de entrega diária.

Passemos então ao modo de preparação:

Ingredientes:

  • Bife
  • Agrião
  • Tomate
  •  Queijo
  • Cheddar
  • Bacon
  • Ovo

O segredo está no molho especial que é preparado com… é segredo!

Para além dos ingredientes referidos, leva o pão de receita da Hamburgueria da Baixa com o molho, o nosso molho (aí está um dos grandes segredos da nossa cadeia de hamburguerias que é o molho. Infelizmente não vou puder revelar o segredo do molho. Porque é isso mesmo: um segredo. Mas leva alguns ingredientes como alho, salsa, coentros e mais não posso dizer.

É feito da seguinte forma:

Disponha o bife/hambúrguer na chapa previamente aquecida e grelhe. Em seguida, polvilhe com um pouco de sal. Depois de alguns minutos, com ajuda de uma espátula, vire o bife/hambúrguer.

Entretanto, abra o pão e espalhe o molho na parte superior e inferior do pão. Coloque no fundo, na metade inferior do pão, uma cama de agrião, tomate e o bife/hambúrguer depois de estar grelhado.

Disponha por cima do bife/hambúrguer o queijo cheddar.

Na chapa onde grelhou o bife/hambúrguer, coloque o bacon e deixe grelhar por alguns minutos até alourar. Depois de ficar crocante e dourado coloque por cima do queijo cheddar.

Seguidamente coloque o ovo no recipiente próprio para estrelar na chapa. Esta etapa é simples e rápida. Depois do ovo estar estrelado coloque por cima do bacon.

Finalmente, cobrir com a parte superior do pão.

É acompanhado com batata frita caseira, descascada no próprio dia.

Et voilá!

Que vinho sugeres para acompanhar este hambúrguer? É da tua herdade?

Sim é da nossa herdade. Nós temos vinhos brancos, vinhos tintos e colheita tardia, aqui na hamburgueria.

Para acompanhar este prato eu sugiro um Quinta do Alqueva, do Pinhal da Torre.

Sabes, a “Boa Vida Persegue-me” e a ti o que te persegue?

A mim o que me persegue é o amor pela minha família e a dedicação diária que tenho ao trabalho.

Vamos ao que interessa: o bife estava excecional. A mescla de sabores e texturas aplicadas neste hambúrguer resultaram muito bem mesmo.

Aliás, é uma das mais deliciosas ofensas a uma dieta rigorosa. Enfim, de babar…

Agradeço muito o tempo que me/nos dedicaste e sobretudo esta receita!

O meu abraço maior.

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Sinta-se à vontade para disseminar esta receita em qualquer espaço seu na Internet, desde que cite o Blogue “A Boa Vida Persegue-me!” como fonte. Obrigado!

Fotografia: João Ramos